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quinta-feira, 8 de junho de 2017

A Múmia


A múmia (The Mummy, 2017) é o filme de estreia do Dark Universe - ou Universo Sombrio, como queiram - da Universal. E, devo dizer, é um bom primeiro passo. O projeto promete reunir os maiores monstros em um único pacote, com o personagem Dr. Jekyll (interpretado por Russel Crowe) de O Médico e O Monstro, capitaneando uma organização secreta que combate os maiores males da Terra - e a múmia foi o primeiro deles.

Logo no início vemos Ahmanet (Sofia Boutella), aquela que seria destinada a ser a faraó, ser “traída por seu pai - que tivera um filho com sua segunda esposa. Tomada pelo ódio, a jovem princesa faz um pacto com Set, o Deus da Morte, para obter poder e controle. Antes que o ritual fosse completado, porém, ela é impedida. Mumificada viva, foi mantida presa pela eternidade em um sarcófago cujo paradeiro se perdeu no tempo.

Nick Morton (Tom Cruise) e seu amigo Vail (Jake Johnson, de New Girl) são dois soldados americanos que se aproveitam de estar no front iraquiano para lucrar com venda de relíquias no mercado negro. Ao roubar o mapa de sua colega de trabalho, a arqueóloga Jenny Halsey (Annabelle Wallis) e de acidentalmente deflagrar um conflito com uma célula rebelde, o trio é destinado pelo coronel Forster (Courtney B. Vance) para investigar o que encontraram. Enquanto Jenny tenta compreender aquela estranha descoberta - o que um sarcófago egípcio estaria fazendo tão longe de casa, e sob tanta proteção espiritual? - Nick acaba por desencadear algo maior do que eles poderiam prever: liberando Ahmanet de sua prisão espiritual, ele se torna amaldiçoado - e ela vai precisar de ajuda para cumprir sua vingança.

Basicamente, o roteiro é correto: introduz muito bem a história da múmia, sua maldição e suas terríveis possíveis consequências, além de fazer muito pelo Dark Universe em si: revela o suficiente para deixar o público curioso com a organização e os futuros monstros sem revelar demais. Mas como um filme isolado, A Múmia tem cara de “mais do mesmo” - ou "mais um filme do Tom Cruise". Aliás, quando será que o veremos salvando o mundo sem ter que literalmente fugir correndo (em movimentos de técnica perfeita) de uma destruição poderosa? Fica aí o questionamento. No máximo, conseguiu mesclar melhor terror e comédia do que a maioria. Novamente os efeitos especiais são superestimados e os sustos gratuitos estão lá para satisfazer a plateia que quer pular da cadeira (embora eu realmente não compreenda como a maioria ainda se assusta com os clichês de terror).

A dupla principal tem ótima química, especialmente por conta de Johnson - e o mesmo não pode se dizer do casal Morton-Halsey. Ela, aliás, é a mais fraca do elenco (eu não comprei o romance meia-boca deles dois), e fica muito difícil ter presença perto de um inspirado Crowe fazendo a gente grudar na cadeira com seu Dr. Jekyll/Mr. Hyde. Ele é a melhor coisa do filme, e foi acertadíssima a escolha do ator - e personagens - para ser o elo entre as futuras produções. No fim, o filme é divertido e deve agradar ao público - e eu realmente espero que arraste multidões para o cinema, pois quero muito ver o que vai ser daqui pra frente!

P.S.: assisti ao filme em uma sessão especial na nova sala do UCI New York City Center, na Barra da Tijuca. O motivo? Essa é a primeira sala 4DX do país. Uma experiência única, com certeza: os bancos vibram e se mexem conforme o que se passa na tela, ambientando o público na cena. Então, se tem uma ventania na telona, vai ter vento na sua cara também; se o carro está passando numa estrada esburacada ou fazendo curvas fechadas numa cena de perseguição em alta velocidade, sua cadeira vai sacudir exatamente como se você estivesse dentro do carro. Um barato! E até água eles tem, seja pra gotejar na sua cara quando entra em uma caverna escura e gotejante ou borrifar na sua cara quando algo vier “te atingir” de frente.

Se neste momento você pensou “ai, meu penteado!”, não se preocupe. Há um botãozinho esperto no braço da cadeira para desligar o efeito molhado - embora todos os outros continuem funcionando. E devo dizer que A Múmia ficou muito mais divertido dessa forma. Portanto, recomendo - e muito! - ao menos uma sessão aqui: é muito divertido se sentir parte da cena. Escolha um filme de ação (para fazer valer seu ingresso), traga um pente no bolso, segure-se firme na cadeira e divirta-se!

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